O Explorador Oceânico que Viveu 31 Dias debaixo de água

A Razão Por Que Fabien Cousteau Mergulha

Fabien Cousteau é o novo embaixador Seiko Prospex. Fabien, pertencente à terceira geração de uma família de exploradores oceânicos, começou a mergulhar muito cedo. Em 2014, liderou o projecto de investigação Mission 31, durante a qual estabeleceu um recorde histórico ao viver durante 31 dias consecutivos num habitáculo submarino. Qual a motivação que está por detrás destes projectos tão únicos e ousados? Falámos com Fabien para descobrir.

Ao longo da história, as pessoas que mudaram o mundo foram aquelas que pensaram fora da caixa e agiram. Escolher viver debaixo de água durante 31 dias é precisamente o tipo de acção que granjeou a Fabien a sua reputação como figura pouco convencional.

“Bem, as pessoas questionam a minha sanidade por ter realizado a Mission 31”, afirma ao mesmo tempo que se ri, “mas muito seriamente, penso que é preciso ser um certo tipo de pessoa para aceitar entrar num ambiente extremo.”

Fabien nasceu em Paris, França, em 1967. O seu avó é Jacques-Yves Cousteau, um cientista marinho de renome e pioneiro da exploração marinha, e o seu pai é o oceanógrafo Jean-Michel Cousteau. Desde que mergulhou pela primeira vez, quando completou 4 anos de idade, que o fascínio pelo oceano, um tesouro de mistérios e aventura, nunca mais o abandonou.

“No meu íntimo, sou uma criança. Tenho uma curiosidade insaciável”, diz Fabien.

“A última fronteira do Planeta Terra: o oceano. Explorámos menos de 5% do nosso mundo oceânico até à data. Temos por isso ainda muito para descobrir, seja a architeuthis, a lula-gigante, ou outra criatura, ou algum fenómeno subaquático, ou recursos, ou mesmo as próprias bases que tornam a vida humana possível. Por isso, para mim, é muito excitante ter um lugar misterioso: um ambiente extraterrestre aqui mesmo à mão de semear.”

“O oceano é a

última fronteira do Planeta Terra”

Os papéis de um explorador oceânico são os de perscrutar as fronteiras da Terra e ajudar a aprofundar a compreensão que o ser humano tem do oceano. Fabien trabalha em inúmeros projectos que vão para lá das tarefas comuns de um investigador, desde realizar expedições em várias partes do oceano, a consciencializar e educar comunidades um pouco por todo o mundo. Por vezes, estas actividades granjearam-lhe o rótulo de inconformista, que assume sem complexos, encarando-o como um elogio e alimentando o seu desejo de assumir desafios sem precedentes.

Um exemplo máximo de tais actividades inauditas é o Mission 31. Neste projecto, Fabien viveu durante 31 dias no único laboratório marinho subaquático do mundo, situado numa plataforma oceânica a 20 metros de profundidade: uma estrutura do tamanho de um pequeno autocarro escolar. Era virtualmente impossível regressar à superfície durante o decorrer do projecto. Até então, a missão mais longa tinha durado 17 dias. Foi uma oportunidade de estabelecer um novo recorde por uma grande margem, e também de ultrapassar o recorde do seu avô, que viveu 30 dias debaixo de água.

“Foi uma oportunidade para testar e saber se o público ainda queria ouvir falar de exploração oceânica. Foi uma oportunidade para prestar homenagem ao meu avô, que construiu os primeiros habitáculos subaquáticos”, recorda. “Penso que quebrar o recorde foi a parte menos importante do projecto. Simbolicamente, ficar mais um dia debaixo de água do que a equipa do meu avô foi sobretudo uma homenagem pessoal que prestámos às gerações anteriores.”

Na Mission 31, um total de 6 pessoas, Fabien incluído, permaneceu debaixo de água. A viver juntos num espaço muito pequeno, deslocavam-se à coluna aquática três ou quatro vezes por dia para recolher dados. Os seus tópicos de interesse iam desde mudanças climáticas e poluição aquática, até à interacção de espécies nos recifes de coral num momento em que os predadores de topo estão a ser removidos. Nesses 31 dias, a equipa conseguiu realizar pesquisa científica e recolha de dados equivalentes a 3 anos de pesquisa realizada a partir da superfície. Demonstraram a eficiência e o valor dos habitáculos subaquáticos para a pesquisa marinha.

No entanto, o projecto não esteve livre de problemas. Incidentes que parecem triviais em terra, podem tornar-se fatais no fundo do mar. Quando o ar condicionado, chamado “chiller” pela equipa, se avariou, o ambiente tornou-se tão insuportável que a missão quase teve que ser interrompida. A temperatura chegou aos 42 graus Celsius, com 100% de humidade, e era como se estivesse a chover dentro do habitáculo. Apesar de terem conseguido ultrapassar esta crise, todos os incidentes inesperados tiveram que ser resolvidos debaixo de água, uma vez que regressar à superfície implicaria um procedimento de descompressão que demoraria 24 horas. Regressar de imediato não era uma opção, mesmo se alguém partisse um osso ou adoecesse.

“Fiquei realmente triste

quando tive que terminar a missão

para regressar à superfície”

Outro factor era a presença de câmaras em todo o habitáculo, que eram controladas em terra. Esta era uma medida para garantir a segurança durante a estadia debaixo de água, mas significava também que os membros da equipa eram observados constantemente. Numa ocasião em que o Fabien não conseguia parar de espirrar, recorda-se como a sua mãe, preocupada, ligou através de Wi-Fi para lhe perguntar se estava bem. Muitos provavelmente sentiriam que uma pessoa comum nunca conseguiria viver 31 dias sob este tipo de pressão.

“Penso que é preciso ser um certo tipo de pessoa para querer entrar num ambiente extremo. Uma situação desafiante num espaço pequeno, com pessoas que não se conhece, para trabalhar durante 31 dias. Num caso, houve uma pessoa que estava pronta para sair após uma semana; na maioria dos casos, estavam dispostas a terminar a missão. No meu caso, fiquei quase deprimido, chocado, sentia-me muito triste, quando tive que terminar a missão para regressar à superfície. Porque para mim, o habitáculo e o fundo do mar próximo tornaram-se a minha casa, a minha residência, e tornou-se tudo muito familiar para mim, e continuava facilmente por mais um mês. Se senti falta dos meus amigos, da minha família? Claro. Mas quanto mais tempo estava ali em baixo, menos pensava na superfície.”

“Para mim, explorar o oceano

é explorar o futuro”

Depois de completar a sua missão de 31 dias, Fabien está cada vez mais curioso sobre o mundo oceânico. Sugeriu algumas possibilidades para lá da Mission 31, para uma futura Mission 32 ou 33…

“Adoro avanços na ciência e na engenharia, e incorporamos estas coisas de muitas formas, tanto quanto possível, em todos os aspectos das nossas vidas, inclusive na exploração oceânica. Mas ainda não existe nada que substitua um relato em primeira mão de uma experiência específica. Porque por mais que se desenvolvam robôs, tecnologia e tudo o mais, nada se compara a todas as subtilezas que um ser humano pode experienciar e absorver e trazer de volta e partilhar.”

“Uma das filosofias fundamentais do Fabien Cousteau Ocean Learning Center, e que o meu avô transmitiu ao meu pai, que me transmitiu a mim, é: ‘As pessoas protegem o que amam, amam o que compreendem, e compreendem o que aprendem.’ Transporto esta crença fundamental comigo, e continuo a aprofundar o meu conhecimento do oceano para que o possa partilhar com o mundo. Acredito que isto, por sua vez, irá ajudar a proteger os nossos oceanos, e assim a nossa Terra, o que irá proteger o futuro das nossas crianças.”

E assim o explorador oceânico inconformista continua a mergulhar – para satisfazer a sua curiosidade insaciável, e para ajudar a construir um futuro melhor para a humanidade.

O que significa o relógio de mergulho para si?

“Sempre usei relógios de mergulho. Uso-o agora como uma segurança: é algo com que posso sempre contar, e mesmo no mergulho actual – usamos computadores, tecnologias modernas e tudo o mais – gosto sempre de ter um relógio de mergulho como um cordão umbilical que me dá segurança. E um relógio de mergulho pode ser algo muito pessoal. Pode ser algo muito individual, algo que expressa personalidade.”

“Prospex é uma espécie de ferramenta com que podemos não só contar, mas uma que também podemos escolher de acordo com o nosso gosto pessoal, e sabemos que nunca nos vai desiludir.”

Há alguma coisa que tenha em comum com Prospex?

“Sim, somos ambos teimosos (risos). Sim, identifico-me com a linha Prospex porque é não só um símbolo de compromisso, mas também um símbolo de dedicação, de curiosidade, de exploração, de evolução, de adaptação às necessidades, e um símbolo do esforço por ser cada vez melhor, por melhor que já se seja.”

“Adoro ‘Discover Your Planet’ [‘Descobre o Teu Planeta’, a mensagem da marca], porque para mim invoca imaginação, paixão, talvez até uma curiosidade por ir e descobrir o que é a nossa Terra.”

O que gostaria de fazer no futuro enquanto embaixador Seiko Prospex?

“Estou desejoso de realizar expedições e projectos de conservação com Prospex, e talvez juntos possamos idealizar algo completamente novo para a marca.”

“Fico espantado com a dedicação e paixão que os aficionados da Seiko têm pelos relógios Seiko Prospex, [dando diminutivos] como o “turtle” [“tartaruga”], o “samurai”, o “tuna” [“atum”] e por aí fora. Para mim, isto são símbolos de pessoas que estão realmente dedicadas e compreendem a própria marca. Existem várias outras linhas de relógios dentro da marca Prospex que acho que também merecem os seus próprios diminutivos!”

“Estou entusiasmado por trabalhar com Prospex enquanto seu embaixador no futuro, e espero que juntos consigamos tornar o mundo um lugar melhor.”

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